quarta-feira, 25 de março de 2009

Histórias de Amor e Violência

Janete abriu a mão o mais que pode e lhe disparou um sonoro tapa na face branca escanhoada e, julgava ela, pretenciosa ao extremo. Ele não soube o que pensar, muito menos dizer. Só a observou de cima a baixo por um longo tempo. Janete era uma típica funcionária de repartição, 40 anos, cabelos corretos, maquiagem discreta e roupas no mesmo tom. Uma mulher sem nenhuma graça. Mas todo aquele seu pensamento se transformou ali, depois que o rosto ardido lhe sinalizou o contrário. Era um cretino e todos o odiavam, ele sabia. O fato de ser chefe de todos os 30 subalternos da repartição o creditava a gracejar, cortejar, beliscar, acariciar, piscar, o que fosse. Sempre fora assim. Com algumas se vangloriou, com outras se fechou em sonhos solitários. Mas com Janete a coisa toda mudou. Conheceu ali, o amor pela primeira vez.